samba de orly

não fazer samba. mas de um jeito ou de outro, sinto saudade do presente. as tardes são abraçáveis. os domingos pequenos. a chuva é amarga. e eu sinto saudade de hoje.





muito obrigada, tempo. por me curar. por passar rápido. por me trazer até aqui. mas, faça-me o favor, e vai baixinho, mansinho, sutil. porque às vezes eu só preciso descansar.
sentir saudade do presente é o mais perto da felicidade que eu consigo chegar. não estou triste, mas a felicidade é pouco. felicidade é um estado entediante, é uma excitação momentânea, uma masturbação mútua e solitária com a vida e qualquer coisa que aconteça nela.



é muito quente aqui e o dia esqueceu de ir embora. meus pés cansados não suportam a gravidade e eu só queria não existir por dois minutos. essa vida é tão clichê quanto aquele filme da sessão da tarde, tão sexy quanto o canal do boi.
estou feliz, agradeço o tempo por ter passado tão rápido, agradeço o calor que logo se vai também.
saudade da chuva de dois anos atrás, eu queria estar exatamente onde estou agora, mas o meu amor, grande amor, foi embora sem maiores explicações.
sem amor, só a loucura, apenas todos os sonhos do mundo num liquidificador no meio da rua.

sobre café e revolução

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Brigada, Biahz, por me fazer estar onde quero estar. De um jeito simples, na tua mente, na tua palavra, na tua voz. Sete horas da manhã, na Cidade Universitária, em um ônibus. 
Sim, a conheci em meio a milhares de informações inúteis, em um tópico qualquer sobre uma das coisas mais chatas do mundo: o vestibular.
Eu sei que buscamos a mesma coisa. Não são apenas livros e ideologistas terminadas em ismos, é muito mais além de coquitéis molotov sabor morango, queda da bastilha, bandeiras vermelhas e aulas vagas de democracia. Nós apenas buscamos lucidez. Seja lá o que for isso.
Seja lá o que for liberdade, ela tem um preço alto e como é bom saber que não, não tenho apenas uma ideia individual, uma angústia sem causa, uma dor vazia.
Afinal, somos apenas duas mulherzinhas presas as nossas próprias vontades subversivas, ai de nós! gemidos gregos para o machismo, para a quem vive de imagens, para quem se importa com o meu peso, com o meu sexo, com a minha falta de vontade de acordar, com a minha preguiça de dormir. Ai daqueles que pensam que são maiores, mais fortes, que tem poder. As ideias estão em nós. Vivas, pulsantes, vulcânicas. Nós vencemos. Mas nosso grito não sai no jornal. E não precisa. A liberdade está em nós. No riso, na ausência de culpa, na coragem de enfrentar o medo, no prazer, na resistência, e na desobediência e subversão.
Um dia eu encontro meus caminhos. Como você encontrou o teu. Talvez eu seja feliz, talvez não. Não vou me perder, tenho bons pontos cardeais, estão um pouco confusos e eu tenho tanta pressa. (Eu tenho tanto medo). Mas todos meus caminhos me encaminham para algo bom. Nós sabemos. Um dia eu me encontro por aí, aos gritos, aos prantos, com as pernas branquelas de fora nas praias de santos haha (?)
E você será feliz. Não conheço todos os teus conceitos de felicidade, mas ela vai chegar. Você vai conquistá-la aos poucos. Porque será verdadeiro. Eu sei.  Você se reencontra, pode tentar se perder mas volta. Quero que você preserve sempre tua autenticidade, tenha força para mudar de opinião, para não desistir, para encontrar teu espaço e estar bem nele, seja onde e com quem for. Afinal, somos sonhadores. Utópicos, talvez, que seja. Imaginação no poder. No mundo, em nós.


essencialmente, 


Natália

de vez em quando

"meus sentimentos são mais importantes que os teus"... é só isso o que minha vitrola velha sabe dizer e repete repete repete...
E eu que me arrisquei no amor resguardado em canecas quentes de café com canela. Tudo em vão, tudo desnecessário e cômico. E de repente repete... nada.... Eu aqui outra vez, em um corredor extenso, no meio da noite, com estrelas, com silêncio, e uma vontade louca de fugir. Para onde por enquanto eu não sei! 
A vida são camadas exatamente iguais que se acumulam em uma base insustentável. Vou desequilibrar e cair. Não tem ninguém para segurar a minha mão esta noite. Não tem ninguém para jogar minha vitrola nos trilhos do metrô. Será que eu soltaria tuas mãos em um abismo vago quase cheio? Claro que não. Sei lá quantas toneladas na cabeça seria fácil. O peso que você guardou nos meus pulmões é maior que todos os trens da cptm, meu amor.
Minha vitrola é cafona e teus discos são velhos, tuas palavras cheias de mentira e tua indiferença é tão imatura. 
Não, eu não sou tão patética assim... Tampouco vejo muitos problemas em ser seja lá o que for que eu sou. Eu sempre soube. Desde o princípio. Sobre o teu não, o teu depois, o teu não quero.
Mas eu continuei. Por quê?
Porque eu nunca pedi nada em troca. Ou pedi? Não, 
Ah, eu esperaria a minha vida inteira em uma semana, eu correria pelos cantos da Terra nos quatro cantos do meu quarto.
É tão ridículo ver que o amor para mim era uma mistura de saudade e espera. Uma coisa que se resumia em uma piada na porta de uma geladeira vazia. E tuas palavras se resumem a pó e escoam pela pia do banheiro enquanto escovo os dentes. Teus dentes são apenas uma lembrança mordível de mentiras e incômodo. 
Te mandei beijos em livros, te escrevi poemas em retratos, te fotografei num bueiro anônimo, te representei no pathernon, escrevi uma carta em latim, sonetos em versos alexandrinos, te dei um planeta com doze luas, doze duzias de abraços na feira. eu e você? dancei na chuva e tive pneumonia, só não te busquei aquela tarde porque perdi o ônibus.






quem se importa?